“Pelada”

17 09 2012

Pequeno exercício para oficina de contos

 

Quando Juliana irrompeu do quarto, vestia uma bata branca e saia amarela, como os cabelos. Não tão longa, claro! Pigarreou e seguiu espreitando Felipe, congelado pelo jogo na televisão. A moça tinha trinta anos (chutando alto!), e não esperou muito. Também não disse nada, mas deu uma largada sutil com o corpo, dirigindo-se felinamente para o marido. Este tinha os olhos ligados ao aparelho por uma onda própria. E assim permaneceu, até Juliana virar-se bruscamente em seu desapontamento e entrar novamente no quarto!

De dentro do cômodo, já despida, ouvia o alarido insatisfeito de Felipe, intercalado com menções de alívio repentinas ou baixos calões. Quando voltou à sala, já não trajava nada, senão a cinta-liga negro-rendada e o meia-taça sustentando sua respiração. Diante do marido, estava uma barragem prestes a rebentar! Juliana magra e a excessiva exuberância de seu olhar transpirava em seu desfile solitário. “Felipe”… A mão do rapaz esticou-se espalmada; sinal de que aguardasse. Voltou os olhos para o gramado e se enterrou novamente. Sua alma flutuava pelo ar, como a bola que saltava da televisão. Juliana sustentou-se sobre uma das coxas, suspirou resignada… Entrou!

A porta do quarto se abriu em poucos minutos. Mas Juliana dessa vez estava uniformizada. Da cintura para baixo! Pusera o shorts com que Felipe jogava, mas se esquecera de encobrir os seios, fingindo descaso pelo “à vontade” de se andar em casa. Passou, partida, em frente ao televisor, apanhou uma revista e não teve dele outra reação de espanto, senão esta: desviou-se do corpo da mulher, para melhor flagrar o passe.

A última tentativa não falharia! Saiu toda nua!, de chuteiras e bola de couro sob os braços alvos. Rumou para a porta de saída do apartamento e a destrancou; fez menção de adeus. O time de Felipe estava prestes a sofrer um pênalti. Merda! Agônico, o rapaz tapou o olho esquerdo e contorceu o rosto aflito, virando-se e dando, de súbito, com a mulher. “Mas justo agora vai sair? Faz figa, pelo amor…”. Não podia nem ver a cobrança. Juliana assentiu com a cabeça, bateu a porta com os dedos cruzados e sussurrou rindo de si mesma: “Neste país, nem pelada!”.

 

Thiago Sogayar Bechara

15 de março de 2012.

São Paulo – SP





Lucélia Santos integra o elenco de “A falecida” de Nelson Rodrigues

13 09 2012

O espetáculo faz parte do Projeto SESI – SP  – NELSON RODRIGUES 100 ANOS.

No mês de setembro “A falecida” estará em cartaz no Teatro SESI aos sábados às 20h30 e domingos às 20h.

Temporada até o dia 02 de dezembro.

 

A Falecida

 

Os dois personagens principais formam um núcleo familiar dos mais miseráveis que Nelson retratou. Zulmira, dona de casa suburbana e Tuninho, típico carioca que possui a mais improvável das profissões: desempregado. O casal não têm filhos. Como a peça se chama A Falecida, sabemos que ela vai morrer. Curiosamente, a cartomante não confirma essa certeza. O marido Tuninho possui uma paixão: o Vasco da Gama. Ele é torcedor fanático. O texto fala sobre a semana da decisão de campeonato quando Vasco disputa a final com o Fluminense. A peça é a trajetória deste casal ao encontro dos seus destinos. Eles são engraçados e em alguns momentos o texto se aproxima da comédia. Zulmira é absorvida pela ideia de uma mulher loura que irá destruir sua vida, como afirmou a cartomante. Procura uma funerária e encomenda para si própria o caixão mais caro. Converte-se de forma radical. Tudo isso exaspera o marido, que sequer desconfia do caixão. Um tom melancólico e brejeiro dos subúrbios desenhado nas personagens ganha destaque. A cena da morte de Zulmira é antológica. Nela a peça começa a mostrar um fundo falso. Zulmira faz uma última revelação, ou melhor, seu último pedido. Pede ao marido que vá à funerária encomendar o seu enterro que deseja ser o mais caro.

 

Sobre o projeto Nelson Rodrigues 100 Anos SESI-SP

 

O projeto do SESI-SP em comemoração ao centenário de Nelson Rodrigues inclui espetáculos, leituras dramáticas, exposições, debates e oficinas. Os destaques do projeto, que tem curadoria de Ruy Castro, biógrafo de Nelson, e direção artística de Marco Antônio Braz, especialista na obra rodriguiana, são a abrangência da programação, a participação de personalidades (inclusive de pessoas que conviveram com ele), a abordagem de aspectos menos conhecidos do dramaturgo – como jornalista, escritor, cronista esportivo e folhetinista – e o caráter pedagógico das ações com os mais de 400 alunos de iniciação teatral dos Núcleos de Artes Cênicas do SESI-SP. Até novembro, nomes como Fernanda Montenegro, Cleyde Yáconis, Nathália Timberg, Christiane Torloni, Nelson Rodrigues (filho), Norma Blum, Daniel Filho e Nelson Pereira dos Santos farão parte da homenagem.

 

Com o projeto Nelson Rodrigues 100 Anos, o SESI São Paulo reafirma o seu compromisso com a democratização do acesso à cultura. Há mais de 40 anos, a instituição oferece ao público apresentações gratuitas. Na capital e em todo o Estado de São Paulo, os Centros Culturais, os Centros de Atividades e os 22 teatros da entidade promovem exposições, shows, peças teatrais, filmes e eventos literários. Atuando efetivamente na formação de público para as diferentes linguagens artísticas, o SESI-SP atende cerca de 2 milhões de espectadores anualmente.

 

Elenco:

Lucélia Santos (de 8 de setembro a 2 de dezembro) – Zulmira

Lívia Ziotti – Sobrenatural de Almeida

Lara Córdulla – Madame Crisálida

Gésio Amadeu – Oromar / Segundo cunhado / Doutor Borborema

Rodrigo Fregnan – Tuninho

Luciana Caruso – Primeiro parceiro / Segunda vizinha

Tatiana de Marca – Segundo parceiro / Outro fulano

Claudinei Brandão – Primeiro funcionário

Willians Mezzacapa – Timbira

Rafael Boese – Segundo funcionário / Fulano / Contra regra

Jady Forte – Criança / Primeira vizinha

Léo Stefanini – Pai / Pimentel

Jackie Obrigon – Mãe

Alessandro Hernandez – Chofer / Nelson Rodrigues

Maria Luisa Mendonça  (de 6 de julho a 2 de setembro) –  Zulmira

 

Ficha técnica:

Direção geral e artística – Marco Antônio Braz

Assistente de direção  –  Leo Stefanini

Cenário e adereços – J. C. Serroni

Figurino – Telumi Hellen

Iluminação – Wagner Freire

Trilha – Tunica Teixeira

Imagens e projeção – Andre Hã

Fotos – João Caldas

Produção executiva – Egberto Simões

Direção e coordenação de produção: Selma Morente e Celia Forte

Uma produção de Morente Forte Produções Teatrais





Nilton Bicudo volta com a peça “Coisa de Louco” agora no Teatro Eva Herz.

12 09 2012


Fotos: Lenise Pinheiro.

De Fauzi Arap

Direção Elias Andreato

Reestreia dia 05 de setembro quarta-feira às 21h.

 

Contemporâneo, como a visão crítica de Fauzi Arap, Coisa de Louco é uma peça em formato de palestra improvisada sobre drogas, dada por um contador revoltado num tom tragicômico.

Dirigida por Elias Andreato, Nilton Bicudo interpreta Firmino, um contador profissional cheio de dívidas, separado e com filhos, que é convidado, em cima da hora, a dar uma palestra sobre drogas. Despreparado, ele se vê obrigado a improvisar para cumprir a tarefa. O fato de estar atravessando uma profunda crise pessoal faz com que acabe falando sobre tudo de uma forma anárquica, o que acaba resultando num depoimento extremamente rico.

Ao fim da exposição, Firmino propõe que as pessoas olhem pra dentro e percebam a essência, em vez de viverem “conectadas” o tempo todo. Mas cabe ao público avaliar a força dessa fórmula

Nessa montagem percebemos como dois atores, Bicudo e Andreato, usufruem de uma profunda cumplicidade, originada nos palcos e no reconhecimento da importância da dramaturgia brasileira. Cumplicidade essa que permite ao público desfrutar ao máximo da comédia inédita de Fauzi Arap.

O cenário é composto de um púlpito, uma cadeira e um flip chart, tudo típico de uma palestra num Centro Cultural da vida.

Teatro Eva Herz (168 lugares)

Livraria Cultura – Conjunto Nacional

Avenida Paulista, 2073 – Bela Vista

Informações bilheteria: 3170-4059

Site: http://www.teatroevaherz.com.br

Aceita cartão de débito e crédito. Não aceita cheque.

Vendas pela internet: http://www.ingresso.com

Quartas às 21h

Ingressos: R$ 40

Duração: 55 minutos

Recomendação: 14 anos

Reestreia dia 05 de setembro

Curta Temporada: até 10 de outubro

Ficha Técnica:

Texto: Fauzi Arap

Direção: Elias Andreato

Assistente de direção: André Acioli

Elenco: Nilton Bicudo

Cenários: Elias Andreato

Figurinos: Fábio Namatame

Iluminação: Elias Andreato

Operador de luz: Marcelo Montenegro

Trilha sonora: Aline Meyer

Fotos divulgação: Lenise Pinheiro

Direção de Produção: Marco Griesi, Daniella Griesi, Andresa Lenzi

Projeto Gráfico: Vicka Suarez

Realização: Solo Entretenimento





Conjunto Nacional (avenida Paulista), 1959.

11 09 2012

Memórias Paulistanas (CLIQUE AQUI)

 

Meu agradecimento especial à Amarillis Pazini Aires que, no grupo Memórias Paulistanas, do Facebook, postou essa imagem comovente de um dos pontos mais importantes da vida cultural de São Paulo – SP. Além do valor histórico, há para mim o valor afetivo já que minha vida pessoal se confunde com a das paredes deste edifício, onde passei minha infância. Ainda hoje, não passo um só dia sem frequentar o Conjunto Nacional, embora não haja mais Jardim de Inverno e nem Fasano. Mas há livrarias, papelarias, xerox, academia, restaurantes, lojas de roupas, farmácia e outra infinidade de serviços reunidos. O Conjunto Nacional é o coração do meu cotidiano.





Peça “Exilados” estreia dia 15 de setembro no Teatro Nair Bello

10 09 2012

Imagem

De James Joyce

Direção Ruy Guerra

Com André Garolli, Franciely Freduzeski, Álamo Facó, Cristina Flores e Joana Medeiros

 Ruy Guerra dirige primeira peça escrita pelo autor irlandês, James Joyce, que faz curta temporada no Teatro Nair Bello, a partir de 15 de setembro de 2012. As apresentações acontecerão aos sábados e domingos, durante quatro semanas.

O texto de James Joyce conta com informações autobiográficas relacionadas às primeiras experiências durante o exílio na Europa. A peça se passa em Dublin,  Irlanda, no início de 1912, e conta a história de um triângulo amoroso entre Richard Rowan (André Garolli), escritor que acaba de retornar do exílio, sua companheira Bertha (Franciely Freduzeski), uma jovem mulher a frente do seu tempo que abandona a sua vida e parte ao lado de seu amor para o exílio quebrando todas as regras desta época, e Robert Hand (Álamo Facó), jornalista e grande amigo de Richard, que tem uma forte atração por Bertha e se vê em conflito entre o seu desejo e as convenções sociais do início do século XX. O espetáculo relata também as preocupações dos protagonistas com o ciúme e traição no amor e na amizade.

O autor James Joyce foi romancista, dramaturgo, contista e poeta. Ele foi o primeiro a utilizar a psicanálise nos seus textos, desenvolvendo a técnica do monólogo interior, para chegar à profundidade, antes insondável da alma humana. A sua obra completa se compõe ao todo de seis volumes, e alguns fragmentos. “Exilados” tem um papel muito importante na exploração de um dos temas que mais preocuparam o autor: a relação homem e mulher.

“A peça tem um tema instigante e provocador. É um jogo de sentimentos e ideias. As relações são falsas e os sentimentos verdadeiros e profundos. Todos são mentirosos e manipuladores. O público sai sem saber a verdade. Esse texto tinha várias traduções: brasileira, portuguesa, argentina e francesa. Li todas e junto com o Diogo Oliveira fizemos a adaptação. A peça era muito longa, são 170 páginas e foi preciso tirar mais de uma hora de peça”, diz Ruy Guerra.

O diretor, poeta, dramaturgo e professor Ruy Guerra nasceu em Moçambique, mas vive no Brasil desde 1958. De 1952 a 1958, estudou no Institut des hautes études cinématographiques (IDHEC), de Paris, atuou como assistente de direção, antes de se instalar no Brasil, onde dirigiu o seu primeiro filme, “Os cafajestes”, quatro anos depois.

Em 1982, rodou no México, “Erêndira”, baseado em “A incrível e triste história da Cândida Erêndira e sua avó desalmada”, de Gabriel García Márquez. No teatro, dirigiu as peças “Trivial Simples”, em 1978, e nos anos 80, “Fábrica de Chocolate”. Também dirigiu os longas “Ópera do malandro”, em 1985, baseado no musical de Chico Buarque, e “Kuarup” (1989), baseado no livro Quarup, de Antônio Callado; e o telefilme “Fábula de la bella palomera”, também baseado em Gabriel García Márquez. O seu primeiro texto para teatro foi “Calabar”, em parceria com Chico Buarque.

Ruy Guerra tem também um importante trabalho como letrista de canções compostas em parceria com Chico Buarque, Carlos Lira, Edu Lobo, Francis Hime e Sergio Ricardo.

Ficha Técnica:

Texto: James Joyce

Direção: – Ruy Guerra

Elenco:

André Garolli                   Richard Rowan

Franciely Freduzeski      Bertha

Álamo Facó                       Robert Hand

Cristina Flores                  Beatrice Justice

Joana Medeiros                Brigid

Assistente de direção: Diogo Oliveira

Cenografia: Marcos Flaksman

Luz: Maneco Quinderé

Trilha Sonora: Tato Taborda

Figurino: Kika Lopes

Produção Executiva: Bruna Dantas

Coordenação de Produção: Raquel Keller

Teatro Nair Bello (200 lugares)

Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569 – 3° andar.

Telefone: 3472-2414

Bilheteria: de terça a sábado, das 14h às 21h30; domingos, das 14h40 às 19h.

Aceita todos os cartões de débito e crédito. Não aceita cheque.

Estacionamento R$ 6 até duas horas.

Vendas: http://www.ingresso.com e tel.: 4003-2330

Sábado às 21h. Domingo às 18h.

Ingressos: R$ 50

Duração: 100 minutos

Recomendação: 12 anos

Gênero: Drama

Estreia dia 15 de setembro de 2012

Curta Temporada: até 07 de outubro 2012





Encontrar velhos poemas na gaveta nos revela a nós mesmos, ainda que os poemas sejam ruins e nós sejamos outros!

30 08 2012

09/03/2004 – São Paulo – SP

 

Reside em mim, a união dos três tempos.

Ares de vidas passadas e de futurismo em mim que vivo agora por equívoco ou sutil sabedoria!

Meu corpo é hoje, mas minh´alma… essa vaga lentamente, passeando nos já idos da memória que, por vir, dá de prenúncios de um futuro que já houve um dia.

Por equívoco ou sutil sabedoria…

Repetição de vidas, união de tempos…

Eu sou passado que amanhã viria se ele não fosse este exato momento na voz que assume ser atemporal na unicidade de uma poesia!

 

Thiago Sogayar Bechara





Jovem Pan – Thiago Bechara fala sobre seu livro “Luiz Carlos Paraná: O Boêmio do Leite”

30 08 2012