Trinta anos sem Clarice

19 05 2007

 

A língua, para um povo, é mais do que um simples código estabelecido por meio de convenção, ainda que, por si só, tal consenso já conferiria ao ato da fala humana uma importância sem igual. No entanto, “língua” abrange em seu conceito, uma complexidade enorme de tramas que, analisadas cuidadosamente, revelam, com precisão, características específicas de um determinado país ou cultura, bem como de sua história. 

Buscando evidenciar isso, o Museu da Língua Portuguesa foi idealizado e aberto ao público no dia 21 de março de 2006. Hoje, com seu primeiro ano de vida recém completado, ele comemora o sucesso de um projeto bem sucedido – haja vista as mais de 580 mil pessoas que já o visitaram – e traz uma novidade para a população de São Paulo. A nova mostra temporária sobre os 30 anos de morte da escritora Clarice Lispector ocupa desde o dia 23 de abril, o primeiro piso do museu, onde, até então, se encontrava “Grande Sertão: Veredas” sobre a obra homônima de Guimarães Rosa.

“Clarice Lispector – A Hora da Estrela” conta com a curadoria de Júlia Pelegrino, seleção de textos do poeta Ferreira Gullar e cenografia de Daniela Thomas, além de estar sendo planejada uma grande estrutura que visa contemplar toda a obra da ucraniana que aportou no Brasil em 1922, ainda com dois anos de idade.

“Serão expostos objetos museológicos, como as diversas carteiras de identidade da autora além de manuscritos, por exemplo. A obra de Clarice, mesmo após 30 anos de sua morte, continua extremamente atual; um grande marco na literatura universal”, revela o diretor do Museu da Língua, Antonio Carlos Sartini, 47 anos. “É bonito observar a grandeza de uma palavra quando se pensa na identidade cultural de um país; uma das poucas coisas que, em tempos de Globalização, ainda faz um povo sentir-se pertencente a um mesmo universo. Eu senti isso muito fortemente na exposição do Guimarães e espero sentir agora na da Clarice também”, analisa fascinada a professora de História Walewska Andreoni antes de entrar no prédio da Estação da Luz. “Essa percepção é um dos maiores aprendizados que se pode tirar de uma visita como essa”, completa.

Ao fugir de estruturas convencionais, o museu obriga a um olhar menos acadêmico e, no entanto, mais revelador daquilo o que pretende dizer, devido ao seu dinamismo. “A partir do momento em que o público pode seguir seu grau de interesse e curiosidade pra acessar os conteúdos, isso torna a experiência de visitá-lo, muito mais rica. As pessoas podem descobrir coisas pela curiosidade, pelo olhar. É maravilhoso um museu permitir isso através da brincadeira, tocando telas e ganhando de prêmios, palavras novas, desconhecidas”, explica Jarbas Montovanini, Gerente Regional da Fundação Roberto Marinho com a qual o Governo do Estado mantém parceria para o projeto desde o inicio.

“Sobre a mostra da Clarice: houve muitos pedidos pra que a exposição do Grande Sertão fosse prorrogada, por isso permaneceu até agora. Na verdade, a nova escolha foi feita pelo ‘Instituto Brasil Leitor’, que também é parceiro do Governo do Estado por meio da Secretaria da Cultura”, revela também.

A mostra “Clarice Lispector – A Hora da Estrela”, orçada em R$ 400.000,00 deve permanecer exposta por quatro meses quando, então, seguirá para o Rio de Janeiro em local ainda a ser definido.  Segundo a professora de literatura e tradutora Silvia Cristina Martins, 43 anos, a escolha de Lispector é oportuna: “Clarice foi uma grande mulher e merece essa homenagem. Meu primeiro contato com ela veio pela leitura do conto ‘Feliz Aniversário’. Fiquei espantada! Ela traz características que simplesmente reforçam aquilo o que vivemos: uma sociedade que se utiliza de um processo de aprisionamento das pessoas”. Silvia comemora a exposição do Museu da Língua e conta curiosidades sobre Clarice: “Como mulher, era uma incógnita. Muitos diziam ser antipática. Haja vista a única entrevista que deu na TV Cultura. No entanto, o que fica é sua grandiosa obra. Que venham seus personagens solitários, angustiados e ansiosos por chegarem ao silêncio. Parece triste, mas alguém precisa nos despertar”. Segundo a professora, ninguém fez isso tão bem quanto Lispector.

Já Sartini complementa: “A mostra não ficará presa às paredes do Museu e todo um material de apoio está em preparo para auxiliar os professores em sala de aula. Queremos, além de celebrar a obra dessa grande artista, prestar uma homenagem a todas as mulheres que, tão bem, sabem reconhecer a geografia da alma humana”.


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Informações

6 respostas

19 05 2007
Roberta

Adorei!!! mto bom , entrarei sempre.
Clarice é d mais mesmo…..era “um coração bantendo no mundo”.

bjs

19 05 2007
Júlia

Vc tem um blog muito “Thiaguístico”!
Gostei bastante!!!

beijos e mais beijos

20 05 2007
Mari Valadares

Parabéns meu querido amigo. Dividir seus textos na internet é uma idéia muito boa. Adorei!!!

Beijocas
Mari

30 05 2007
sílvia cristina

Querido Thiago,

Obrigada por ter aproveitado o meu texto. Eu, simplesmente, sou apaixonada pela autora. Quero ir ao museu logo, logo.
Parabéns, um grande beijo,
Sílvia

11 11 2007
Laís Collins

Obrigada pelo seu trabalho.

estou fazendo um trabalho de escola e seu conteudo, sobre a Calrice me Ajudou em muita coisa. Ao decorrer da pesquisa fui me apaixonando cada vez mais pela Lispecto e vc ajudou nisso..
beijos e obigrada que Deus te abenções e te de cada vez mais sabedori.
fica em paz
Lais Collins

11 11 2007
Laís Collins

Obrigada pelo seu trabalho.

estou fazendo um trabalho de escola e seu conteudo, sobre a Calrice me Ajudou em muita coisa. Ao decorrer da pesquisa fui me apaixonando cada vez mais pela Lispecto e vc ajudou nisso..
beijos e obrigrada que Deus te abenções e te de cada vez mais sabedoria.
fica em paz
Lais Collins

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