O Sonho não se acabou

19 05 2007

                                    

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A célebre frase dita por Nelson Sargento sobre Cartola venceu a barreira dos anos e chegou até nós com o mesmo frescor de sambas como Tive Sim e O Mundo é um Moinho. “Cartola não existiu. Foi um sonho que a gente teve”. E por mais que insistentemente repetida a cada evocação feita sobre Angenor de Oliveira, ela se recicla, assumindo outra conotação, ainda mais se dita para exprimir a beleza de um filme como “Cartola – Música para os olhos”  que acaba de entrar nos cinemas.

Dirigido por Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, o documentário sobre o sambista da Velha Guarda da Estação Primeira de Mangueira concatena elementos de diversas linguagens artísticas para resultar mais especificamente num filme que trata de música. Mas é muito mais que isso: penso que ao reconstituir a vida de uma personalidade como Cartola, qualquer diretor se obriga a contar também, a história do samba, o que inevitavelmente se confunde com o percurso trilhado pelo país.

“Música para os olhos”, logo nos primeiros minutos, converte-se em música para o coração. Para o corpo inteiro. O documentário se inicia com um excerto de Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis e segue com depoimentos de amigos, passando por trechos de filmes como Copacabana, estrelado em 1947 por Carmem Miranda e Groucho Marx.

Provavelmente Marx não conheceu Cartola. E, no entanto, é bonito perceber como ajuda a recontar sua trajetória. Com pitadas de humor e cenas raras como o encontro entre Donga, João da Baiana e Pixinguinha numa mesa de bar, o documentário mostra os foliões da época e dedica boa parte de seu tempo à escola de samba cujos nome e cores foram igualmente dados pelo autor de As Rosas não Falam.

Figuras como Chico Buarque, Elizethe Cardoso, Elza Soares, Beth Carvalho e Dona Zica, esposa de Cartola, fazem justiça à memória do compositor que vem sendo gravado por grandes nomes da MPB tais como Elis Regina (Basta de Clamares Inocência no álbum “Essa Mulher”, 1979) ou Ney Matogrosso, que dedicou em 2002 um trabalho todo à sua obra interpretando pérolas como Corra e Olhe o Céu e Ensaboa. No entanto, esses dois últimos não aparecem no documentário.

O compositor, reconhecido quase no fim de sua vida, é hoje uma das figuras mais aclamadas quando se fala em música brasileira e “Música para os olhos” vem coroar todo esse respeito com cores marcantes de um tempo igualmente rico e belo como a obra de Cartola. Como a história do Brasil.

Foto:

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Uma resposta

19 05 2007
Diego

Já estava a fim de ver o filme. Agora, estou DESESPERADO pra ver o filme. Texto excelente, objetivo, claro… Evidente que o tema ajuda, mas…

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